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O Jogo do Excedente

Em cada fato, a análise do que realmente está em disputa, dos interesses envolvidos nessa disputa, de como os resultados alteram a acumulação e, o mais importante, de onde você está nesse jogo e de que maneira o resultado chega até você.

O que é o tal do excedente e por que isso importa

Há dez mil anos, alguém colheu mais grão do que a aldeia conseguia comer. E o mundo mudou. A sobra encheu o primeiro celeiro; o celeiro exigiu um guardião; o guardião virou chefe. E a complexificação do jogo não parou de avançar desde então.

A história estilizada é simples e carrega tudo o que veio depois. Da primeira sobra nasceram, no mesmo gesto, a riqueza e a disputa por ela. A história conhece civilizações sem moeda, sem escrita e sem Estado. Não conhece nenhuma que tenha produzido excedente sem que alguém disputasse a sua divisão.

O excedente muda de forma; a lógica permanece

De lá para cá, o excedente mudou de forma: tornou-se território, fronteira, ouro, fábrica, petróleo, ações, dados. A lógica, entretanto, nunca mudou: quem controla a produção e escreve as regras fica com a maior parte da sobra. O resto do mundo negocia o restante.

É essa negociação, pacífica ou não, que aparece todos os dias no noticiário com outros nomes: reforma, tarifa, juros, guerra, ajuste, austeridade fiscal. A lista é longa, mas o jogo por trás é o mesmo: a disputa pelo excedente.

É dessa matéria que tratamos aqui. Não do noticiário, mas do movimento que corre por baixo dele.

As cinco perguntas que nos guiam

Diante de qualquer fato, seja uma guerra, uma reforma ou uma tecnologia nova, aqui no COMPASSO nos fazemos sempre as mesmas perguntas.

01 · Qual é o impacto do fato novo na disputa pela acumulação global?

Para responder, precisamos pensar na figura do tabuleiro. Antes de perguntar quem ganha com determinado evento, é preciso saber o que está sobre a mesa (e há quanto tempo está sobre a mesa). Boa parte do barulho público em torno de qualquer assunto vem de gente discutindo tabuleiros diferentes sem uma perspectiva total dos processos. Não raro se chega a conclusões parciais, que se sustentam por pouco tempo. Por exemplo: analisar os investimentos das Big Techs e seus resultados apenas à luz do retorno aos acionistas, sem pensar a política externa chinesa e a política doméstica dos Estados Unidos, é como avaliar um lance de xadrez olhando para uma única casa do tabuleiro. A peça pode até parecer bem posicionada; a partida, porém, está sendo decidida em outro lugar.

02 · Quem disputa?

Os jogadores: países, setores, empresas, classes, gerações. Quase nunca são apenas dois, e raramente são os que a manchete nomeia. Alguns dos maiores interessados em qualquer partida jogam em silêncio. E jogam um jogo persistente, contado em ciclos de décadas, cujos resultados chegam ao dia a dia de todos.

03 · Que regras definem como se ganha?

As instituições, as leis e as forças que decidem a partilha antes de a partilha acontecer. Toda fila é uma instituição, e todo critério de fila escolhe de antemão um tipo de vencedor. Quem escreve as regras raramente perde o jogo, sobretudo porque guarda a opção de reescrevê-las.

04 · Quem captura a maior fatia, e por quê?

O placar. Não é quem investiu mais, nem quem apareceu mais, nem quem venceu um evento específico: é quem de fato ampliou a sua capacidade de capturar o excedente e, mais importante, de gerar riqueza nova, seja por meio das regras, seja por conquistas tangíveis. A distância entre a aparência (o investimento, a visibilidade, a vitória pontual) e o placar real costuma ser a parte mais reveladora da análise.

05 · E você, onde está nesse jogo?

A sua posição, hoje, dentro do jogo do excedente. Nossa missão é mais do que deixar a informação disponível: é formar. Queremos que você desenvolva a habilidade de ler o jogo e construa estratégias para melhorar, a cada rodada, a sua posição.

Nossa postura: positiva, não normativa

Não militamos sobre quem deveria ganhar. Mostramos quem está ganhando, com rigor, com fontes nomeadas e sem endosso partidário.

Isso não é neutralidade tímida. É a condição para que a análise sirva a leitores que ocupam lados opostos do mesmo tabuleiro (e eles ocupam). Nossa pergunta é sobre o que é, não sobre o que deveria ser.

Neste jogo, ninguém assiste de fora. Quem não lê o próprio tabuleiro termina jogado por ele.

A defesa completa dessa lente está no texto que funda a casa: Economia Política: a lente do COMPASSO.

Acompanhe o jogo.

@compasso.capital

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